Saiu agora há pouco o resultado da investigação dos comissários sobre o segundo pit stop de Felipe Massa. Multa de 10 mil Euros e uma bronca, nada mais que isso. A vitória está confirmada.
A vitória de Felipe Massa hoje, em Valência, teve um sabor especial para o brasileiro. Foi o GP da Europa a prova que ele escolheu para comemorar seu 100º GP da Fórmula 1.
Digo "escolheu" porque, a exemplo de Rubens Barrichello, o critério utilizado para a comemoração não é o mais correto. De fato, Felipe acumulou hoje sua 100ª participação na Fórmula 1, mas ele alinhou apenas para 99 corridas. Calçado de Michelin na equipe Sauber, o brasileiro não largou para o GP dos EUA de 2005, a famosa "corrida da vergonha", da qual apenas seis carros participaram.
A Michelin havia levado compostos errados para Indianápolis e os pneus se rasgavam com facilidade nas curvas inclinadas do traçado norte-americano. Após muita briga com a FIA, a fábrica francesa não foi autorizada a trazer da Europa novos compostos e aconselhou suas equipes que não participassem da corrida. Assim, apenas três times (Ferrari, Jordan e Minardi), clientes da Bridgestone, alinharam para a largada.
Imagens da transmissão oficial da corrida desfazem as dúvidas com relação à saída perigosa de Felipe Massa ao final de seu segundo pit stop. O brasileiro arrancou enquanto Adrian Sutil passava pelo pit lane e os carros quase se chocaram. Ficou a dúvida se Felipe teria arrancado antes da hora por afobação - como ocorreu com Kimi Raikkonen - ou se a equipe o teria liberado antes da hora.
Pelas imagens da corrida, extraídas da câmera onboard da Ferrari, percebe-se que o sinal do "pirulito eletrônico" italiano está verde. Logo, quem deu ordem para que o brasileiro arrancasse foi a própria equipe.
Comissários estão investigando o incidente, mas o regulamento desportivo é omisso com relação a punições nestes casos. A única orientação presente no texto está no artigo 23.1, que rege sobre o pit lane. Diz o item "i":
"It is the responsibility of the competitor to release his car after a pit stop only when it is safe to do so".
Numa tradução livre: "É responsabilidade do competidor liberar seu carro de um pit stop apenas quando for seguro fazê-lo". Pelos parágrafos anteriores, entende-se como competidor não apenas o piloto, mas sim piloto e equipe.
Não há indicativos de punição ou multa para casos como este.
- Vitória fácil de Felipe Massa na corrida mais chata do ano. Monótona, sem ultrapassagens, sem brigas, sem nada. O circuito de rua de Valência frustrou não só a torcida espanhola – que viu Alonso abandonar na primeira volta - mas a todos que esperavam uma corrida emocionante. Eu incluso.
- Foi quase que um “Sunday drive” do brasileiro, que dominou a corrida sem dificuldades fazendo pole, vitória e melhor volta. O único risco à sua conquista foi a trapalhada no segundo pit stop, quando saiu antes da hora e quase bateu em Adrian Sutil. Os comissários investigam o caso que, creio, não deve dar em nada. Porém, a pouca vibração do engenheiro Rob Smedley e de Michael Schumacher ao término da corrida apontam para uma evidente preocupação.
- Caso o erro tenha sido da equipe, liberando o “pirulito eletrônico” antes da hora, creio que nada deva ocorrer além de uma punição administrativa. Porém, se a câmera onboard flagrar Felipe arrancando antes da luz verde... o brasileiro pode até perder a vitória. Mais informações nas próximas horas.
- Lewis Hamilton não tinha condições de acompanhar o ritmo da Ferrari, o que ficou claro logo após o primeiro pit stop. De forma madura, contentou-se com o segundo posto. Manter-se na liderança com 6 pontos de vantagem não é nada ruim.
- Robert Kubica voltou ao pódio pela primeira vez desde sua vitória no Canadá. Mesmo acumulando resultados ruins nas últimas quatro corridas, está em quarto na tabela, a apenas dois pontos de Kimi Raikkonen.
- Falando em Kimi, mais um motor da Ferrari vai pelos ares em fim de corrida, o segundo em duas provas. Outrora tão confiável, a equipe italiana parece estar voltando aos anos 80: bagunça interna, quebras mecânicas e mancadas sucessivas.
- O GP da Europa sinaliza na direção de um campeonato polarizado entre Massa e Hamilton. Os dois dominaram a corrida, como já vem acontecendo há pelo menos três GPs. Raikkonen, não bastasse ter ficado “desligado” durante toda a prova, ainda foi vítima de um erro de pit stop e de uma quebra de motor. Salvo uma grande exceção, daqui até o GP do Brasil a briga é entre os pilotos de casco amarelo.
- Sebastian Vettel, apesar de ter aparecido pouco, foi um dos destaques da corrida. Sexto com a Toro Rosso, esteve sempre na zona de pontuação e conquistou três pontos importantes. Com mais três, seu time alcança a Honda.
- David Coulthard, próximo da aposentadoria, é o bufão da temporada. Bate, roda e dá demonstrações de que já deveria ter parado antes. Graças a ele, aliás, Rubens Barrichello não chegou em último. Foi o piloto mais lento da pista, fez uma prova horrorosa, mas contou com as besteiras do escocês para terminar em penúltimo, 16º.
- Nelsinho Piquet ficou o tempo todo no meio do bolo, ganhou duas posições nos pit stops e chegou em 11º. Sua asa “boca de bagre” quebrou e, mesmo assim, manteve-se bravo na pista.
- Glock e Trulli marcaram pontos novamente para a Toyota, confirmando a equipe na quarta posição entre os construtores. Consistentes, os carros japoneses são uma agradável surpresa no campeonato. Mesmo assim, é pouco para o volume de dinheiro gasto.
- Entre os pilotos: Hamilton 70, Massa 64, Raikkonen 57, Kubica 55. Entre os construtores, com a quebra de Kimi, a McLaren encosta na Ferrari. 121 a 113.
- Próximo GP é na Bélgica, em Spa-Francorchamps. Raikkonen geralmente se dá bem no circuito e o traçado deve favorecer a Ferrari. Teremos, aí sim, uma boa corrida.
- Pole position para Felipe Massa, a quarta na temporada. O brasileiro reinou absoluto na terceira parte da classificação. Fez o melhor tempo, trocou pneus e fez a melhor volta novamente.
- Um domínio que não parecia possível no começo do treino, quando a Ferrari se mostrava perdida e não conseguia sair das posições intermediárias. Numa das últimas tentativas, Felipe fez o terceiro tempo, enquanto Kimi Raikkonen se debatia com uma pouco usual 13ª posição.
- Na segunda parte da classificação, no entanto, a Ferrari melhorou e pareceu poder brigar pela pole position. Será apenas diferença de estratégia? Estará Felipe Massa mais leve que a concorrência? Amanhã, a resposta. Porém, numa corrida na qual é esperada pelo menos uma entrada do Safety Car, largar com pouco combustível não parece a melhor opção.
- Lewis Hamilton sai na primeira fila e deve brigar pela vitória com Felipe. Seus companheiros de equipe, os finlandeses Kovalainen e Raikkonen, foram absolutos coadjuvantes hoje. Kimi, principalmente, parecia estar dormindo hoje. Porém, quando o homem de gelo acorda...
- Robert Kubica voltou a brilhar, com um ótimo terceiro lugar no grid, mas a grande surpresa do treino foi mesmo Sebastian Vettel com a Toro Rosso. Segundo mais rápido na primeira sessão e primeirão na segunda, larga numa excepcional sexta posição. Os carros de Gerhard Berger estão bem no circuito valenciano, basta ver o décimo lugar de Sebastien Bourdais.
- Notável o retorno da Williams à superpole, com Nico Rosberg largando em nono. Desde o GP do Canadá a equipe não conseguia tão boa posição de largada.
- Para desespero da torcida local, Fernando Alonso escapou da pista em sua última tentativa na Q2 e terminou fora da superpole. Sai apenas em 12º. Nelsinho Piquet foi o último da segunda sessão e larga em 15º.
- A Honda não se encontrou no circuito valenciano. Rubens Barrichello lutou, lutou, e na última volta escapou do último lugar, larga em 19º. Jenson Button foi 1s melhor que o brasileiro, mas não o suficiente para chegar à segunda fase da classificação. Sua posição de largada é 16º.
- Enquanto as duas Toro Rosso foram agradáveis surpresas, a equipe-matriz decepcionou. David Coulthard reclamou dos pneus dianteiros e terminou o treino em 17º. Mark Webber foi o 14º, pouco para quem está bastante acostumado a estar entre os top 10.
- Desde Mônaco Felipe Massa não largava na pole position. O jejum de cinco corridas foi o maior de sua carreira, desde que marcou sua primeira pole, na Turquia em 2006.
- Corrida imprevisível. Se tudo transcorrer num trenzinho monótono à-la Mônaco, quem fizer a primeira curva na frente deve vencer. Porém, basta uma entrada do Safety Car para tudo mudar e transformar a prova numa loteria. Quem leva a melhor no porto valenciano? Aposto em Felipe Massa. Mas tudo aponta para uma corrida cheia de alternativas.
Primeiros treinos livres transcorridos, já dá para ter uma idéia - ainda que vaga - do que o GP da Europa, no novo circuito urbano de Valência, pode proporcionar neste final de semana.
O traçado permite velocidades médias próximas a 200km/h, o que dá quase um Hungaroring. Porém, tem pelo menos cinco freadas fortes em que os pilotos reduzem de 300 para menos de 100. Isso, somado aos muros e guard-rails, me faz imaginar que Valência será algo entre Albert Park e Montreal. O que não é nada ruim, pois são pistas que proporcionam normalmente as melhores corridas da temporada.
Ultrapassagens serão difíceis, mas os pilotos estarão sujeitos a muitos erros e os carros - principalmente os freios - sofrerão muito desgaste. As equipes já trabalham com estratégias prevendo pelo menos uma entrada do Safety Car. Chuto pelo menos duas.
Para a classificação de amanhã, há até previsão de chuva. O que seria sensacional, podendo provocar um grid embaralhado e uma corrida completamente maluca no domingo. A promessa é de um GP emocionante e o treino de amanhã dará o tom.
Importante: a Rede Globo não transmite a classificação às 9h, apenas um VT às 11h. Portanto, se quiser fazer de conta que está vendo ao vivo, não acesse o blog até o meio-dia. Como de hábito, logo depois do término da sessão, publico "rapidinhas" quentinhas analisando o treino.
Se preferir acompanhar ao vivo pela Internet, dê um pulo no Grande Prêmio. Bruno Vicaria e/ou Chico Luz serão ótima companhia e darão algumas dicas para conseguir imagens em tempo real.
A Bridgestone comemora, neste final de semana em Valência, sua 200ª participação em Grandes Prêmios na Fórmula 1.
Presente de forma oficial na categoria desde 1997, a fábrica japonesa não contabiliza em seus cálculos duas participações que fez em 1976 e 1977, equipando pilotos nipônicos inscritos como independentes nos GPs do Japão.
Para efeitos estatísticos, a Bridgestone já tem 201 participações e é a quarta fábrica mais presente até hoje na Fórmula 1. Ainda este ano, ultrapassará a Pirelli e passará a ser a terceira, atrás apenas da Goodyear e da Michelin.
Confira abaixo as marcas que já participaram da F1:
Acabei de obter, de fonte fidedigna, a resposta para a pergunta que tanto atormenta os fãs do automobilismo nos últimos dias.
Sim, a Rede Globo transmitirá o GP da Europa, ao vivo, no próximo domingo, a partir das 9h. A classificação do sábado, porém, não será exibida em função das atividades do penúltimo dia de competições dos Jogos Olímpicos de Pequim. Só não consegui descobrir se teremos pelo menos um VT.
No último final de semana, aconteceram as primeiras corridas no circuito de rua de Valência, que abrigará o GP da Europa de F1 no final de agosto. O Bruno Ferreira andou fuçando no Youtube e encontrou um vídeo de uma volta na pista com um carro de Fórmula 3.
A imagem está meio embaçada e o enquadramento pode provocar um torcicolo, mas vale a pena.
É uma pista um tanto larga para um circuito de rua, o que é um bom sinal. O traçado cercado por muretas deve provocar alguns acidentes e entradas do Safety Car, já que as velocidades não devem ser tão baixas quanto as de Mônaco.
Se o circuito valenciano proporcionar corridas parecidas com as do Albert Park, já será um bom negócio.
Este é o espaço no qual Ivan Capelli fala sobre automobilismo e alguns pormenores do cotidiano, com seu ponto-de-vista bastante particular. Além disso, toda terça-feira, uma charge sobre automobilismo.
Jornalista, 30 anos, um chato que dá pitaco em quase tudo sobre automobilismo. Além de manter este blog, Capelli colabora com o site Grande Prêmio, escreve uma coluna mensal no GP Total e co-produz e co-apresenta o podcast Rádio GP.