Com os dois pontos conquistados hoje ao concluir o GP da França em sétimo lugar, Nelsinho Piquet tornou-se o 18º brasileiro a pontuar na Fórmula 1, entre 28 pilotos que já representaram o país na categoria.
O filho do tricampeão Nelson Piquet chegou nos pontos em sua 8ª corrida, igualando Chico Serra e Mauricio Gugelmin. Confira abaixo quantas corridas cada brasileiro levou para pontuar na Fórmula 1:
Emerson Fittipaldi – 2 GPs José Carlos Pace – 2 Ayrton Senna – 2 Roberto Moreno – 2 Felipe Massa – 2 Nano da Silva Ramos – 4 Cristiano da Matta – 5 Chico Landi – 6 Chico Serra – 8 Mauricio Gugelmin – 8 Nelsinho Piquet – 8 Christian Fittipaldi – 9 Wilson Fittipaldi Jr – 11 Antonio Pizzonia – 12 Ricardo Zonta - 13 Rubens Barrichello – 15 Nelson Piquet – 17 Pedro Paulo Diniz – 24
A vitória de Felipe Massa hoje, no GP da França, encerrou um tabu de mais de 15 anos. Desde o GP de Mônaco de 1993, um brasileiro não terminava uma corrida na liderança do Mundial de Fórmula 1. Na ocasião, Ayrton Senna venceu a prova e chegou a 42 pontos, cinco a mais que Alain Prost, vice-líder na tabela e que terminou o ano como tetracampeão mundial.
Felipe, agora, tem 48 pontos, dois de vantagem sobre Robert Kubica, segundo colocado. Kimi Raikkonen é o terceiro, com 43, e Lewis Hamilton o quarto, com 38.
O primeiro lugar de Felipe também teve outro significado histórico. Desde 1985, com Nelson Piquet, um brasileiro não vencia um GP da França. E nunca um piloto do país havia vencido em Magny-Cours, já que a conquista de Piquet aconteceu em Paul Ricard, que sediou seu último GP francês em 1990.
Positivo: Nelsinho Piquet, que finalmente estreou na Fórmula 1. Mais do que ter marcado seus primeiros pontos, o brasileiro fez uma corrida nota 10, coroada com uma ultrapassagem sobre o companheiro de equipe.
Negativo: Lewis Hamilton, que não pára de cometer erros. Hoje, cortou uma chicane para ganhar posições e foi merecidamente punido. Desse jeito, vem passando longe da briga pelo título.
- Vitória importantíssima de Felipe Massa, daquelas conquistadas com a sorte característica dos campeões. Era segundo, estava a cerca de seis segundos de Kimi Raikkonen e dificilmente brigaria pela ponta. Mas sua estrela brilhou, seu companheiro teve um escapamento rompido, perdeu rendimento e acabou tendo de abrir mão da vitória.
- Se alguma coisa ainda faltava a Felipe numa disputa de campeonato, era aquela famosa estrela, que acompanha todos os campeões. Hoje ela apareceu. Em paralelo, Kimi parece estar fazendo jus, novamente, ao apelido de Homem dos Pés de Gelo.
- Todas as circunstâncias da prova favoreceram ao brasileiro, principalmente o inesperado terceiro lugar de Jarno Trulli com a Toyota, que jogou Robert Kubica para a quinta posição e permitiu a Felipe assumir a liderança do campeonato. As bobagens de Lewis Hamilton – cada vez mais freqüentes -, o problema de Raikkonen, a própria chuva fina que caiu no final e evitou uma briga mais acirrada entre Trulli e Kovalainen – que poderia favorecer Kubica -, tudo conspirou a favor. Hoje era o dia de Felipe.
- Queimei a língua duplamente com duas previsões ontem. Disse que Trulli não faria nada de excepcional e o italiano marcou um importante pódio para Toyota. Detonei Kovalainen e o finlandês fez uma excelente corrida, saindo de décimo e, por muito pouco, não subindo ao pódio. Se até agora Heikki não tinha feito nada de especial na McLaren, hoje protagonizou uma corrida de gala.
- Já Lewis Hamilton vive um longo inferno astral. Outra corrida ruim, outro erro, outra punição. As besteiras freqüentes já estão passando do limite aceitável, mesmo para um novato. O inglês, logo, começará a ser duramente contestado. Dez pontos atrás do líder do campeonato e sem ter o melhor carro, a campanha de 2008 já está seriamente comprometida.
- Enquanto isso, Robert Kubica, mesmo sem o melhor carro, marca pontos importantes que o mantêm muito bem na classificação. Perdeu a ponta, mas é vice-líder a apenas dois pontos de Felipe Massa. Para quem tem uma BMW, é bom demais.
- No mesmo box, no entanto, drama. Nick Heidfeld fez mais uma corrida apagada e terminou apenas em 13º, atrás até de uma Toro Rosso. Eclipsado por Kubica, o já diminuto alemão está ficando cada vez menor.
- Destaque para Nelsinho Piquet, um dos nomes do dia. Fez uma corrida segura, sem erros, segurou Lewis Hamilton com propriedade no começo da prova e ainda encerrou a corrida com chave de ouro, aproveitando-se de um erro de Alonso e ultrapassando o companheiro de equipe para chegar em sétimo. Marcou seus primeiros pontos e pode-se dizer que, finalmente, estreou na Fórmula 1. Deve ganhar algum crédito com a Renault e com a própria categoria. Quem sabe agora os boatos cessam e o brasileiro possa se desenvolver com tranqüilidade até o final da temporada.
- Apenas um abandono na corrida, de Jenson Button, que abusou de fazer besteira. Seu companheiro de Honda, Rubens Barrichello, saiu de último e chegou em 14º, algo notável. Nitidamente, seu carro era o segundo pior neste final de semana, melhor apenas que as Force India.
- No campeonato: Massa 48, Kubica 46, Raikkonen 43, Hamilton 38. Tudo ainda indefinido, mas com importante vantagem para Felipe.
- Pole para Kimi Raikkonen, numa briga cabeça a cabeça com Felipe Massa, como tinha imaginado. A diferença entre ambos foi de apenas 0.041s, praticamente nada.
- Felipe errou em sua volta final e perdeu a chance de lutar pela pole, mas não está totalmente fora da briga. Das 17 corridas já realizadas em Magny-Cours, apenas 5 foram vencidas pelo pole position. Corrida aberta para as duas Ferrari, com ligeiro favoritismo para Kimi.
- Lewis Hamilton, terceiro, perde dez posições no grid e não deve ameaçar na corrida. Saindo de 13º, se pontuar acima do sexto lugar já será lucro.
- Destaque, mais uma vez, para Fernando Alonso. Sai na segunda fila, em terceiro, mesmo sem ter carro para isso. Sua ameaça mais direta na briga pelo pódio seria Heikki Kovalainen, que larga em quinto, mas não faz um bom campeonato. Aposto minhas fichas no espanhol.
- As Red Bull, figurinhas carimbadas da superpole, largam em sétimo e oitavo e devem beliscar alguns pontos. A Toyota larga bem novamente, com um quarto lugar de Jarno Trulli. Mas não devem fazer nada de grandioso, no entanto.
- A BMW parece não ter se encontrado no circuito francês. Nick Heidfeld passou raspando pela Q1 para cair na segunda fase, com um discreto 12º lugar. Robert Kubica, líder do campeonato, por pouco não caiu junto, conquistando com dificuldades a última vaga para a superpole, onde arrumou um sexto lugar na largada.
- Nelsinho Piquet vem melhorando bastante neste final de semana. Além de ter sido o mais rápido no treino da manhã – um feito, ainda que as principais equipes tenham tirado o pé -, ficou em 11º e quase passou para a fase final do treino. Com pouco mais de três décimos de diferença para Fernando Alonso, fez o que se espera dele. Saindo de décimo (graças à punição de Hamilton), não é impossível imaginar um ou dois pontos amanhã. Só precisa pôr a cabeça no lugar.
- Já era de se esperar que a Honda não fosse andar bem em Magny-Cours, mas o treino foi desastroso, num fiel revival de 2007. Barrichello e Button conseguiram ficar apenas à frente das Force India.
- Previsão para amanhã: corrida sonolenta e vitória da Ferrari. Qual delas? Não sei. A briga está muito igual.
A Toyota corre enlutada em Magny-Cours. Em homenagem a Ove Andersson, ex-dirigente da equipe, morto semana passada em um acidente de rali, o time aplicou uma tarja preta em diagonal na altura do cockpit de seus carros.
Atendendo a um carinhoso convite do Thiago Raposo e da Bárbara Franzin, gravei ontem uma participação especial no podcast deles, o Café com Velocidade. No programa, lembramos de antigos GPs da França, fizemos previsões para a corrida de domingo e jogamos um pouco de conversa fora.
Se você está em crise de abstinência da Rádio GP - que não acabou, em breve voltaremos -, ouça lá.
Essa foi descoberta pelo amigo Speeder_76. Repare no detalhe do capacete do mecânico da Spyker.
"Eu sobrevivi ao pit stop de Magny-Cours 2007", diz a inscrição, em clara referência à pataquada de Christijan Albers no GP da França, quando saiu dos boxes em desabalada carreira, levando consigo uma mangueira e diversos mecânicos.
Genial. Mostra o quanto Albers era querido na equipe.
Este é o espaço no qual Ivan Capelli fala sobre automobilismo e alguns pormenores do cotidiano, com seu ponto-de-vista bastante particular. Além disso, toda terça-feira, uma charge sobre automobilismo.
Jornalista, 30 anos, um chato que dá pitaco em quase tudo sobre automobilismo. Além de manter este blog, Capelli colabora com o site Grande Prêmio, escreve uma coluna mensal no GP Total e co-produz e co-apresenta o podcast Rádio GP.