Recebi nas últimas semanas algumas manifestações de leitores e também li comentários na Internet que criticavam o desenho dos troféus dos GPs da Inglaterra e da Alemanha, no formato do logo do Banco Santander.
Reconheço que a publicidade exerce, com alguma recorrência, uma influência nociva no esporte. Mas honestamente, não vejo mal no troféu reproduzir o logo de quem patrocinou o Grande Prêmio. É um símbolo, uma obra de arte, não entendo como uma influência ruim ou que distorça qualquer tipo de tradição.
Aliás, o expediente nem chega a ser novidade. Mesmo nos anos 80, quando o marketing esportivo ainda engatinhava, o GP da Espanha já tinha em seu troféu a marca do vinho licoroso Tio Pepe, que patrocinava as corridas em Jerez de La Frontera.
Felipe Massa protagonizou em Sivlerstone uma das corridas mais ridículas de um piloto da Ferrari na história. Na chuva, saiu rodando feito o "pião da casa própria" por pelo menos cinco vezes e chegou num merecido último lugar.
Antes disso, uma das maiores patuscadas já vistas a bordo de uma Ferrari na chuva havia sido de Alain Prost, que rodou sozinho na volta de apresentação no GP de San Marino de 1991, nem alinhou para a largada e decepcionou todos os tifosi, que lotavam o autódromo de Imola.
Você lembra de outro absurdo desses a bordo de uma Ferrari em pista molhada?
O pódio obtido por Rubens Barrichello ontem em Silverstone teve também significados estatísticos. Com o terceiro posto, o brasileiro subiu ao pódio pela 62ª vez na carreira, igualando-se a David Coulthard como o quarto maior estourador de champanhe da história. Ele e o britânico perdem apenas para Michael Schumacher (154), Alain Prost (106) e Ayrton Senna (80).
O mais curioso, no entanto, é que o resultado fez com que o brasileiro ampliasse um outro recorde. Rubens Barrichello é o piloto que mais vezes chegou em terceiro lugar na história: 27 vezes. Confira abaixo o top 10 de terceirões:
1º Rubens Barrichello - 27 2º David Coulthard - 23 3º Gerhard Berger - 21 4º Michael Schumacher - 20 Alain Prost - 20 Carlos Reutemann - 20 7º Nelson Piquet - 17 Kimi Raikkonen - 17 Mika Hakkinen - 17 10º Dennis Hulme - 16 Jacques Laffite - 16 Ayrton Senna - 16 Eddie Irvine - 16
Kimi Raikkonen não devia estar muito confortável com a pista molhada às vésperas da largada do GP da Inglaterra. Enquanto se preparava para entrar no carro, irritou-se com um fotógrafo que pisou em sua mala e o empurrou para longe.
Se o repórter estava lá, é porque tinha permissão. Além disso, não fez nada de errado, apenas aproximou-se para fotografar.
Kimi Raikkonen marcou hoje, no GP da Inglaterra, sua sexta volta mais rápida em nove corridas na temporada. Com o feito, o finlandês ultrapassou o inglês Nigel Mansell entre os recordistas de melhores voltas. Com 31 ocorrências, Raikkonen perde agora apenas para Alain Prost (41) e Michael Schumacher (76).
O piloto da Ferrari está, ainda, a apenas uma volta mais rápida de igualar um recorde histórico de Alberto Ascari. Entre 1952 e 1953, o italiano marcou melhores voltas em sete corridas consecutivas. Com seis, a seqüência de Raikkonen já é a segunda maior da história, ultrapassando uma marca de Michael Schumacher. O alemão marcou cinco melhores voltas consecutivas entre os GPs do Bahrein e da Europa de 2004.
Positivo: Lewis Hamilton e Rubens Barrichello. Os dois grandes nomes da corrida, com desempenhos superiores nas condições adversas. Vitória e pódio merecidíssimos.
Negativo: Ferrari e Felipe Massa. A primeira, por comprometer mais uma corrida de um piloto seu, dando seqüência a uma série que beira o inadmissível. O segundo por ter protagonizado um verdadeiro fiasco, com cinco rodadas e um merecido último lugar.
- Corridaça na chuva, disparada a melhor do ano até aqui. Vitória acachapante de Lewis Hamilton, que ganhou com praticamente uma volta de vantagem para todo mundo.
- Lewis dominou a corrida desde o começo, com uma largada espetacular, pulando do quarto para o segundo lugar em apenas uma curva. Aliás, por muito pouco não saltou direto para primeiro. Teve tranqüilidade e estudou seu companheiro Kovalainen por cinco voltas, até dar o bote certeiro e assumir a ponta, para não mais perdê-la.
- O inglês andou muito rápido em todas as circunstâncias. Na chuva forte, na chuva fina, na pista ensaboada, na pista seca. Há tempos não se via um domínio tão absoluto. Lewis já estourou sua cota de besteiras nessa temporada, mas a vitória de hoje foi redentora.
- Redentora, também, a corrida de Rubens Barichello. Ao lado de Lewis, o nome da corrida. Executou com maestria a estratégia de Ross Brawn, por algumas voltas voou na pista – quase 10s mais rápido que o resto – e fez uma impressionante escalada do nono para o segundo lugar em cerca de dez voltas. Quando a pista começou a secar, voltou aos boxes para trocar pneus e garantir o pódio na terceira posição. Tivesse continuado a chuva forte, Barrichello poderia ter vencido a prova. Espetacular.
- Nick Heidfeld, que não vivia boa temporada, obscurecido por seu companheiro Kubica, foi outro grande nome em Silverstone. A se destacar a impressionante ultrapassagem dupla sobre Kovalainen e Raikkonen debaixo de um aguaceiro. Merecido segundo lugar.
- Kimi Raikkonen foi discreto hoje, mas poderia ter conquistado uma melhor posição, não fosse o erro de estratégia da Ferrari, que o manteve com pneus intermediários desgastados quando a chuva começou a apertar. Mais um erro dos inúmeros cometidos pela equipe italiana nessa temporada.
- Mas em volume de erros, ninguém superou Felipe Massa hoje. Cinco rodadas numa corrida vergonhosa e irreconhecível, na qual permaneceu a maior parte do tempo em último lugar, posição na qual terminou o GP.
- O brasileiro, contudo, saiu no lucro hoje. A vitória ficou com Hamilton, o que estava mais distante dele na tabela entre os postulantes ao título, a Ferrari errou, tirando pontos preciosos de Kimi, enquanto Kubica rodou e abandonou. Ter saído de Silverstone ainda líder do campeonato depois de uma corrida vexatória como essa foi praticamente uma vitória.
- Nelsinho Piquet fez sua melhor apresentação na Fórmula 1 até aqui, ainda que tenha rodado e abandonado. Fazia excelente prova, era quarto colocado e poderia ter até beliscado um pódio, não fosse a aquaplanagem e o abandono. Como já disse antes, rodar, bater e abandonar quando se está longe do limite é uma vergonha. Mas erros como o de hoje são perfeitamente desculpáveis. Nelsinho estava andando limite, na frente de Alonso, e atingindo posições inimagináveis para uma Renault. Errou? Errou. Mas sai da Inglaterra com o moral alto.
- Tríplice empate na liderança do campeonato, com Hamilton, Felipe e Raikkonen com 48 pontos. Kubica está pertinho, com 46. Atingida a metade da temporada, o título está totalmente indefinido. A Ferrari tem o melhor carro e deveria estar na liderança, com alguma folga até. Mas considerando o nível de erros dos italianos – inaceitável para uma equipe de ponta –, não duvidaria até de um título da BMW, ainda que seja improvável.
- A segunda metade do campeonato vai esquentar... Hamilton está de volta!
Mark Webber conseguiu hoje, em Silverstone, um feito inédito para a equipe Red Bull. O piloto australiano largará da primeira fila, na segunda posição.
Na curta história da equipe das bebidas energéticas, a melhor posição de largada até hoje tinha ocorrido no GP da China de 2005, ano de estréia do time, quando Christian Klien alinhou no quarto posto.
Para Webber, no entanto, tal posição não é novidade. O australiano sai da primeira fila pela quarta vez na carreira. A primeira delas aconteceu no GP da Malásia de 2004, curiosamente pela Jaguar, equipe que deu origem à Red Bull.
Reconhecido como um dos pilotos mais rápidos em qualificação, Webber até hoje, ironicamente, nunca obteve uma pole position.
- Mesmo sem a chuvarada esperada, uma classificação completamente maluca em Silverstone. Heikki Kovalainen na pole – a primeira de sua carreira -, com Mark Webber em segundo.
- Na verdade, a primeira fila deveria ser prateada. A McLaren claramente dominou a classificação, mas Lewis Hamilton ficou apenas na quarta posição. O motivo? Uma saída de pista em sua primeira volta rápida. O inglês vinha baixando todas as parciais até escapar para a brita no último trecho da pista, o mais sinuoso. Trocou os pneus, voltou à pista, mas não mais conseguiu uma grande volta.
- A Ferrari, que não vinha bem durante toda a classificação, saiu no lucro com o terceiro posto de Kimi Raikkonen. Em circunstâncias normais, provavelmente seria quinto, atrás de Lewis e Robert Kubica.
- O polonês da BMW teve problemas mecânicos e não marcou volta na última parte do treino, saindo em décimo.
- Felipe Massa? A televisão não mostrou, mas provavelmente cometeu algum erro, ou teve problemas mecânicos. Não fez boa volta, retornou aos boxes e não conseguiu sair a tempo de completar uma volta rápida. Quando chegava na reta para abrir sua volta, o treino acabou e terminou por recolher aos boxes. Nono lugar, péssima posição.
- Mark Webber, excelente em treinos como sempre, conseguiu uma inédita primeira fila para a Red Bull. Não deve ter fôlego para permanecer entre os primeiros na corrida, mas um pódio seria muito merecido.
- Nelsinho Piquet, confirmando a boa fase, sai em sétimo, uma posição atrás de seu companheiro Fernando Alonso. Vive um bom final de semana com a Renault e pode sonhar, sem medo, com novos pontos amanhã.
- Sebastian Vettel larga numa excelente oitava posição com a Toro Rosso. De carro novo, a Red Bull Junior começa a incomodar. Bourdais sai em 13º.
- Equipes japonesas decepcionaram. A Honda, que vem ladeira abaixo, sai em 16º com Rubens Barrichello e 17º com Jenson Button. A Toyota, depois do pódio de Magny-Cours, não emplacou em Silverstone. Timo Glock e Jarno Trulli nem sequer chegaram à superpole e saem em 12º e 14º, respectivamente. Muito pouco para o orçamento que tem.
- A Williams é outra que vem muito mal. Kazuki Nakajima é 15º e Nico Roberg 18º, à frente apenas das Force India.
- Kovalainen tem tudo para conquistar amanhã sua primeira vitória. A McLaren sobra e Hamilton demonstra estar sentindo a pressão de correr em casa. A Ferrari deve beliscar um pódio com Raikkonen. Massa, se tiver muita sorte, chega em quinto. Será uma corrida para embolar ainda mais o campeonato.
- Se chover? Aí qualquer prognóstico vai para o espaço. E será uma corrida muito divertida.
Nelsinho Piquet resolveu, de certa forma, voltar às origens em seu capacete neste final de semana em Silverstone. Originalmente seguindo o mesmo desenho do pai, mudando apenas a base branca para um cromado, em 2007 o brasileiro trocou o vermelho pelo laranja e pintou a gota do topo de azul.
O motivo da troca de cores era o patrocinador i-Mode, serviço de Internet sem fio da NTT-DoCoMo, que havia comprado o topo dos capacetes dos pilotos da Renault. Em 2008, o i-Mode foi embora, mas estranhamente, Nelsinho manteve o topo azul. Agora, na corrida que marca a metade da temporada, volta a pintar a gota superior nas cores das demais gotas e linhas do capacete. Ficou, sem dúvidas, bem melhor.
Em comemoração aos 10 anos de sua presença na Fórmula 1, a Petrobras comprou um espaço a mais nos sidepods da Williams para o GP da Inglaterra. No local, colocou uma bandeira do Brasil, envolta na frase "Petrobras dez anos".
Jenson Button disputará o GP da Inglaterra com uma pintura especial em seu casco, criada por um fã através de um concurso em seu site. O desenho vencedor é este acima.
No entanto, navegando pela galeria do concurso, me deparei com outros desenhos tão bons quanto. Resolvi fazer uma seleção do que de melhor apareceu por lá na opinião deste mala blogueiro, respeitando a identidade do piloto e da Grã-Bretanha.
Porém, nem o casco vencedor nem qualquer outro da galeria é melhor do que o que eu selecionaria. Sem dúvida, o mais original, anárquico e bem humorado. É o abaixo.
Em tempos de Mulher Melancia, seria hilário ver o "Piloto Melancia" na F1.
Já que é semana de GP da Inglaterra, vale a pena relembrar um dos melhores duelos da história da F1. Em 1987, Nigel Mansell e Nelson Piquet, companheiros de Williams, disputavam a vitória em Silverstone numa época ainda sem a chatice do "tragam as crianças para casa".
O Leão saiu em segundo e tentou passar Piquet durante toda a prova, sem sucesso. Destruiu seus pneus e foi para os boxes trocá-los, ficando cerca de 30 segundos atrás do brasileiro. Em menos de 25 voltas, marcou nove vezes a volta mais rápida, acabou com a diferença e partiu para o ataque.
A três passagens do fim, o lance memorável.
Mansell venceu e a inglesada invadiu a pista numa festa inesquecível.
Este é o espaço no qual Ivan Capelli fala sobre automobilismo e alguns pormenores do cotidiano, com seu ponto-de-vista bastante particular. Além disso, toda terça-feira, uma charge sobre automobilismo.
Jornalista, 30 anos, um chato que dá pitaco em quase tudo sobre automobilismo. Além de manter este blog, Capelli colabora com o site Grande Prêmio, escreve uma coluna mensal no GP Total e co-produz e co-apresenta o podcast Rádio GP.