Acabei de obter, de fonte fidedigna, a resposta para a pergunta que tanto atormenta os fãs do automobilismo nos últimos dias.
Sim, a Rede Globo transmitirá o GP da Europa, ao vivo, no próximo domingo, a partir das 9h. A classificação do sábado, porém, não será exibida em função das atividades do penúltimo dia de competições dos Jogos Olímpicos de Pequim. Só não consegui descobrir se teremos pelo menos um VT.
A Rede Globo de Televisão anuncia que o treino de classificação de logo mais passa ao vivo, com transmissão a ser iniciada às 23h45, horário de Brasília.
Deveria ser algo normal, mas vira notícia depois do que fizeram com os treinos do Japão e da China no ano passado, exibindo um VT com minutos de delay. Na dúvida, eu não estava contando com imagens ao vivo.
O grande Rodrigo Mattar escavou o Youtube e encontrou o vídeo da entrevista exclusiva que Nelson Piquet concedeu a Reginaldo Leme em 1992, logo depois do seu acidente em Indianápolis.
Na histórica entrevista que Bruno Vicaria fez com Regi, publicada semana passada no Grande Prêmio, o jornalista confessa que foi esta reportagem que o trouxe de volta para a Fórmula 1, depois de afastado da cobertura pela Rede Globo por causa das desavenças com Galvão Bueno.
O comentarista ficou de fora de duas transmissões naquele ano, na Espanha e em Mônaco.
Hoje, 1º de novembro, comemora-se os 20 anos do tricampeonato de Nelson Piquet na Fórmula 1. Nigel Mansell bateu nos treinos de sábado do GP do Japão, machucou as costas e desistiu de participar da corrida. Com o anúncio, Piquet sagrava-se campeão, mas a confirmação do título viria apenas no domingo, quando o inglês não alinhou para a largada.
Em homenagem, o vídeo abaixo. Trata-se de um resumo da prova, com um clipe do tricampeonato, exibido naquela madrugada, ao final.
Repórter entra em link ao vivo, noticiando algo de suprema importância: um quiosque eletrônico instalado pela emissora, em algum canto de São Paulo, no qual os cidadãos paulistanos poderão votar na imprevisível enquete: “Quem será o campeão de 2007?”.
A câmera mostra várias pessoas, muitos papagaios de pirata, todos aglomerados na ânsia de clicar numa das três fotinhos que aparecem na tela do quiosque: Alonso, Hamilton ou Raikkonen.
Para justificar a chamada ao vivo, o repórter pergunta a um velhinho que sai da fila: - O senhor votou em quem? A resposta: - Euu?? Ah... eu votei no Felipe Massa!
Segundo o colunista Daniel Castro, da Folha de São Paulo, a Record bem que tentou, mas não vai levar. Na coluna da última sexta-feira, Castro revela que a FOM renovou os direitos de transmissão da Fórmula 1 com a Rede Globo até 2010.
A nota na íntegra:
"A Record voltou a procurar a Federação Internacional de Automobilismo para tentar tirar a Fórmula 1 da Globo. Argumentou que a concorrente descumpriu contrato quando interrompeu a transmissão de um GP, em maio, para exibir missa do papa Bento 16. Mas não colou. A Fórmula 1 continua com a Globo - pelo menos até 2010, segundo a emissora.
A Globo já vendeu as cinco cotas de patrocínio da temporada de 2008 da Fórmula 1. Todos os atuais patrocinadores renovaram. Cada cota custou, na tabela, R$ 48 milhões."
Mas não vejo isso como um mau sinal. São públicos e notórios os muitos problemas da transmissão global, mas duvido que a emissora dos bispos fosse fazer algo superior. Seria o mesmo, ou até pior. Na dúvida, melhor o que a gente já conhece.
Muitos acreditam que a mudança de emissora fosse trazer uma cobertura mais detalhada e aprofundada. Mas se nenhuma TV aberta consegue aprofundar nem a cobertura futebolística no país, que é um esporte muito mais fácil de entender e explicar, quem dirá a automobilística. Não haveria como, não faz parte do modelo de negócio de nenhum canal aberto do país.
O que realmente faz falta no Brasil é uma transmissão ao vivo em tv a cabo, com cobertura mais detalhada, mais câmeras, em formato widescreen. Mas que não deve pintar por estas bandas antes de 2009.
Muito boa a bola levantada pelo amigo Alex Grunwald. Já consigo até imaginar. Jornal Nacional, véspera do GP da Espanha. Carlos Gil apresenta uma matéria sobre um emocionado encontro nos boxes de Montmeló: Robinho e seu "sósia" na F1, Lewis Hamilton. Um dirá que é fã do outro, trocarão presentes, o repórter gravará um texto cheio de trocadilhos e frases de duplo sentido, perguntará obviedades e reforçará a juventude e o futuro promissor dos dois "craques".
O pior de tudo é que não é brincadeira. Certamente darão um jeito de levar o Robinho de verdade até Barcelona e promover tal encontro. Alguém duvida?
Gostaria apenas que o Merchan Neves do Pânico estivesse presente, pois assim daria um tapa na cabeça do Hamilton, bradando o bordão "Pedala, Robinho!". Seria o final que melhor traduziria a natureza da matéria. Uma grande bobagem.
Ricardo Perrone publicou hoje em sua coluna "Painel FC", na Folha de São Paulo (exclusiva para assinantes do UOL):
"O primeiro GP após a vitória de Felipe Massa no Bahrein deverá ficar em segundo plano na Globo. A prova em Barcelona, dia 13, acontece durante a visita ao Brasil do Papa Bento 16. Boa parte da corrida deverá ser exibida numa janela no canto da tela."
Má notícia, mas faz sentido. Por ser uma concessionária pública, a Globo deve atender aos anseios de sua audiência. Em um país majoritariamente católico, é perfeitamente natural que a maior parte da audiência esteja mais interessada na missa do Papa do que no GP da Espanha. Podiam, pelo menos, negociar com Bernie Ecclestone a exibição ao vivo no Sportv. Mas duvido.
Momento de rabugice. Massa ganhou, alegria geral, tudo bem. Mas a Globo precisava colocar o tema da vitória para tocar cinco vezes?
Foram três execuções em loop após a bandeirada, depois mais duas durante o pódio. Este nunca foi o expediente natural nos tempos de Piquet e Senna. Era uma vez durante a bandeirada e só. Em caso de título mundial ou algum feito espetacular, ela entrava mais uma vez no encerramento da transmissão.
Tá certo que a F1 anda chata, mas questiono se este tipo de estratégia ajuda a trazer alguma emoção. Acho que estão forçando a barra.
Deu na coluna do Daniel Castro, na Folha de São Paulo de hoje: Mariana Becker será repórter de box nas transmissões de Fórmula 1 da Globo em 2007. No início, como teste, ela dividirá a cobertura com Carlos Gil. Se tudo der certo, pode assumir a vaga em definitivo.
Para as três primeiras corridas do ano, no entanto, Pedro Bassan segue na cobertura, já que está vivendo como correspondente da emissora na Ásia. Depois, passa o bastão para Mariana e Gil.
Embora não seja comum mulheres participarem da cobertura de automobilismo, fica o registro de que Mariana não é nenhuma novata no que diz respeito a velocidade sobre quatro rodas. Há alguns anos, ela participou do Rali dos Sertões como competidora e repórter, preparando matérias para o Esporte Espetacular.
A Globo lançou no ano passado um blog do Galvão Bueno, com informações sobre o Pan 2007. Pela linguagem, pelo jeitão da coisa, acho difícil que seja ele mesmo quem escreve. Não gosto desses blogs institucionais, usando o nome de alguém. Não têm opinião e subvertem completamente a idéia do que deve ser um blog. Mas enfim. O curioso é o perfil do narrador colocado na página.
1.000 GPs? Em toda a história, a Fórmula 1 teve, até hoje, 768 corridas. De 1980 para cá, que foi quando Galvão começou a narrar pela Bandeirantes, aconteceram 440 GPs. Mesmo que tivesse transmitido todas desde então, o que sabemos que não aconteceu, ele não chegaria nem a 500 corridas narradas.
Que o Galvão é o maior narrador do Brasil a gente já sabe. A Globo não precisa exagerar nos números pra reforçar o mito.
Mais um grande momento da Fórmula 1, direto do baú do Mario Jorge. Trata-se de um compacto do GP de Mônaco de 1982.
Você lembra da corrida de 1996, quando só chegaram 4 carros? Acha que foi uma corrida maluca? Pois esta foi ainda mais doida.
Faltando três voltas para o final, começou a chover e ninguém mais conseguia se manter na pista. Quem não rodava, ficava sem combustível. A liderança trocou de mão diversas vezes nas duas últimas voltas e ninguém sabia quem venceria a corrida, nem o diretor de prova. Aliás, nem o vencedor. O primeiro colocado só soube que tinha vencido no meio da volta de desaceleração, quando foi dar uma carona para o segundo colocado e foi cumprimentado por ele.
Esse novo vídeo do Mario Jorge é para entrar para os anais da história da cara-de-pau. O que se passa é o seguinte: Alain Prost lidera o GP da Holanda de 1981, com outra Renault, de René Arnoux, em segundo. Luciano do Valle, o locutor na época, se embanana e diz que Arnoux é o primeiro.
Pela narração, você ouve que, quando eles passam pela primeira vez na reta de chegada, ele silencia. Provavelmente percebeu, ou foi alertado, que as posições eram outras. O que ele faz? Em vez de corrigir, insiste que Arnoux é o primeiro. A câmera fecha sobre a Renault de Prost e ele confirma: "aí está René Arnoux".
Como ele resolveu o problema? No momento em que as câmeras não mais flagram os líderes, ele inventa que houve um enrosco na saída da curva Tarzan, que Jones, o terceiro, quase liderou, e que Alain Prost assumiu a liderança.
Luciano do Valle inventou uma ultrapassagem!!! Só vendo para crer. Aí está o vídeo.
Mais um achado do acervo do Mario Jorge: voltas finais do GP de San Marino de 1982.
O que parece ser uma saudável e empolgante disputa pela vitória entre dois companheiros de equipe, na verdade tratou-se de um duelo desigual. Preocupada com o alto consumo de combustível no circuito de Imola e já tendo uma dobradinha garantida, a Ferrari deu ordens para que os pilotos mantivesssem posições, com Gilles Villeneuve na ponta. Porém, na última volta, Didier Pironi deu um golpe na própria equipe ao ultrapassar o companheiro e vencer a corrida.
Sentido-se ludibriado, Villeneuve sequer falou com o francês, dando-lhe as costas no pódio. A partir deste epidódio, em guerra declarada dentro da equipe, o canadense passou a assumir ainda mais riscos para andar na frente. E foi assim que, duas semanas depois, ele saiu em desabalada carreira nos últimos minutos do treino de classificação para o GP da Bélgica para tentar roubar de Pironi o sexto lugar no grid de largada. Calculou mal uma ultrapassagem sobre Jochen Mass, sofreu um grave acidente e morreu.
Anos mais tarde, Pironi teve um filho, o qual batizou com o nome Gilles.
Falta pouco para transformar isso aqui no Blog do Dourado. Mais um vídeo coberto de naftalina dele: a abertura da transmissão do GP do Brasil de 1984.
O bom foi que pude perceber que minha memória não está falhando tanto. Naquele post da abertura do GP do México de 1989 eu comentei que achava que aquela trilha já tinha sido usada no começo dos anos 80. Bingo! É ela mesma.
A abertura chega a ser fantástica de tão brega. A comparação de um F1 com um caça é de uma infâmia que até parece que fui eu quem inventou. A roupa espacial dos técnicos deixaria o Clóvis Bornay envergonhado. O cenário, cheio de espelhos, parece a abertura do Fantástico de gosto mais duvidoso da história. Enfim, um grande momento trash.
Vale a pena ver também Fernando Vanucci anunciando os pilotos participantes da corrida. Entre eles, o estreante Ayrton Senna. Muito bacana.
Um adendo: o Pandini, do GP Total, fez em seu blog no final do ano passado dois posts a respeito do carro utilizado na abertura. Você poderá vê-los aqui e aqui.
O Mario Jorge Dourado agora não pára de mandar pérolas de naftalina. Esta, em questão, é especial.
Trata-se de um compacto do GP do Brasil de 1983, vencido por Nelson Piquet, a primeira vez em que o "Tema da Vitória" foi executado pela Globo.
Agora você deve estar se perguntando: "Mas no Youtube tem a primeira vitória do Senna, porque nela não tocou?". Eis a resposta: o tema foi criado pela Rede Globo para ser executado durante a chegada do GP do Brasil de 83, independentemente do vencedor. O tema, inclusive, foi incluído na transmissão internacional, todos os canais do mundo que exibiam a corrida receberam esta trilha sonora.
Durante o restante do ano de 1983 e nas temporadas seguintes, o tema ficou engavetado. No GP do Brasil de 1986, com a dobradinha Piquet/Senna, a música tocou novamente e a Globo teve então a idéia de torná-la um hino das vitórias brasileiras. Só a partir daí ela começou a ser executada a cada vitória de um brasileiro na Fórmula 1.
O blogueiro Mario Jorge Dourado enviou este vídeo histórico: o programa Sinal Verde do dia 8 de maio de 1982, com matéria de Reginaldo Leme anunciando o acidente e a morte de Gilles Villeneuve.
Para quem é mais jovem e não conheceu, o Sinal Verde era um programa que a Globo exibia nos sábados que antecediam as provas do Mundial de Fórmula 1, entre a novela das seis e das sete. Na época, os treinos de classificação não eram transmitidos para o Brasil e era neste programa que ficávamos sabendo o que tinha acontecido no sábado e qual era o grid de largada para a corrida do dia seguinte.
Quando as transmissões ao vivo do qualifying começaram, em 1991, o programa foi perdendo seu charme e foi parar até na madrugada de sábado para domingo. Acabou extinto no final dos anos 90.
Essa é na mesma linha do achado anterior, mas uma abertura diferente: GP do México de 1989. Não sei por que cargas d'água a Globo colocou no ar uma vinheta com uma trilha antiga, que tenho a impressão de ter sido usada nas transmissões do começo dos anos 80.
Não me recordo dessa música ter aparecido novamente naquele ano, talvez tenha sido alguma tentativa que não deu certo, ou mesmo um engano.
A qualidade do vídeo é péssima, mas vale dar uma olhada.
Este é o espaço no qual Ivan Capelli fala sobre automobilismo e alguns pormenores do cotidiano, com seu ponto-de-vista bastante particular. Além disso, toda terça-feira, uma charge sobre automobilismo.
Jornalista, 30 anos, um chato que dá pitaco em quase tudo sobre automobilismo. Além de manter este blog, Capelli colabora com o site Grande Prêmio, escreve uma coluna mensal no GP Total e co-produz e co-apresenta o podcast Rádio GP.