Além da novidade da volta do uso dos pneus slick, os testes que começaram ontem em Jerez trouxeram algumas combinações novas à F1. Vamos a elas!
Mano Brawn conhecendo a Honda
Javier Villa tentando uma vaga na BMW
Giancarlo Fisichella pagando mico no vestibular da Force India
Franck Montagny, outro candidato do time do Apu
Timo Glock estreando na Toyota, disfarçado de corredor misterioso
Nico Hülkenberg testa um F1 pela primeira vez, na Williams. E lá vem mais um alemão...
Ontem, quem andou com slicks terminou na frente, caso de Jenson Button, que foi o segundo mais rápido mesmo com uma Honda. O que isso quer dizer? Nada. Aconteceu exatamente o que se esperava: com uma superfície maior de contato com o solo, os carros deveriam ser cerca de 3s mais rápido, como previu a Bridgestone e noticiou Victor Martins.
Estava eu aqui pensando, a respeito do iminente anúncio de Ross Brawn na Honda. Os japoneses têm um histórico vencedor na F1. Estão mordidos por terem retornado há quase 10 anos e não terem conquistado nada, bem diferente da revolução que provocaram na categoria nos anos 80. O ano de 2007 foi um fiasco de proporções gigantescas. O time está ferido, humilhado e quer voltar a vencer.
Me parece que a Honda resolveu partir para o tudo ou nada. E deverá ter os próximos dois ou três anos para isso. Assim, abriu a carteira e decidiu gastar. Está trazendo Ross Brawn da Ferrari, a peso de ouro. E Fernando Alonso, o melhor piloto do mercado, está disponível. Você percebe aonde quero chegar?
Ainda não me sinto confortável com a idéia do bicampeão assinar com a Red Bull. O time do seu Mateschitz é arejado demais para um piloto obsessivo como ele. Alonso quer ganhar, quer trabalhar duro, quer dar o troco na McLaren. Aceitaria ele passar um ano mais envolto em ações de marketing do que no trabalho em pista?
As negociações com a Renault, ao que parece, melaram. O espanhol já está livre há mais de uma semana e ainda não assinou com os franceses. As denúncias de espionagem e as sanções que podem ser aplicadas à equipe na reunião do Conselho Mundial, no mês que vem, esfriaram o acerto. Com Williams e Toyota fora da jogada, a impressão que tenho é de que as conversas com a Red Bull são uma cortina de fumaça para despistar e encobrir algum acerto maior. Pode ser a BMW, que confirmou Heidfeld e Kubica e parece acima de qualquer suspeita. E pode ser a Honda, que em nenhum momento foi cogitada como destino de Alonso. Característica perfeita para uma negociação bombástica. Como bem convém a um bicampeão do mundo desempregado.
O jornal inglês Daily Telegraph informa em sua edição de hoje que nesta segunda-feira a Honda anuncia Ross Brawn como novo chefe de equipe. Nick Fry permanece no seu cargo de diretor executivo.
Se a Honda pretende se redimir do fiasco de 2007 no ano que vem, a contratação de Brawn é gol de placa. Diretor Técnico da Ferrari na era Schumacher, o inglês é reconhecido como o mestre das estratégias da Fórmula 1. Ninguém compreendeu tão bem como ele a dinâmica que a volta dos reabastecimentos trouxe à categoria em 1994 e foi participante ativo em todos os títulos conquistados por Michael Schumacher, primeiro na Benetton e depois na Ferrari.
Agora, a pergunta que não quer calar: teria Rubens Barrichello ficado feliz com a contratação?
Este é o espaço no qual Ivan Capelli fala sobre automobilismo e alguns pormenores do cotidiano, com seu ponto-de-vista bastante particular. Além disso, toda terça-feira, uma charge sobre automobilismo.
Jornalista, 30 anos, um chato que dá pitaco em quase tudo sobre automobilismo. Além de manter este blog, Capelli colabora com o site Grande Prêmio, escreve uma coluna mensal no GP Total e co-produz e co-apresenta o podcast Rádio GP.